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Morreu nesta segunda-feira, dia 26 de maio, o diretor, produtor e ator estadunidense Sydney Pollack.
Ele faleceu em Los Angeles, Califórnia, por causa de um câncer. A doença havia chamado a atenção em agosto de 2007, quando ele se retirou do projeto, em que era diretor de um filme para a HBO, por razões de saúde não divulgadas na época.
Pollack começou sua carreira no teatro, como ator, e ganhou fama como diretor de TV a partir da década de 60.
Entre sua filmografia como diretor encontra-se Entre dois amores (1985), que lhe rendeu o Oscar de melhor direção e A intérprete (2005), que foi o primeiro filme a gravar cenas na sede das Nações Unidas.
Como produtor, estão filmes como: O talentoso Ripley (1999); Cold Mountain (2003); Invasão de domicílio (2006) e Conduta de risco (2007).
E como ator, participou de produções como De olhos bem fechados (1999) e O melhor amigo da noiva (2008), que está em cartaz nas telonas do país.
Fontes: BBC e O Globo Online
Por João Cotrim
E por falar em Ensaio Sobre a Cegueira, já está na rede o trailer do filme para os mais ansiosos.
Sim, o filme conta a história da mulher do médico, a única pessoa imune a uma misteriosa epidemia de cegueira que afetou repentinamente toda uma cidade. Ela se vê tendo de tomar conta de seu marido e de si mesma em meio ao caos e desordem instalados em uma terra onde quem tem olho não é rei e sim, escravo. No elenco, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Gael García Bernal, Dani Gloover, entre outros.
Segundo o site da produtora O2 Filmes, de Meirelles, o filme estréia em setembro no Brasil.
Se você é como eu e não vê a hora do filme chegar, abra os olhos e confira abaixo o trailer original de Ensaio Sobre a Cegueira.
Por João Cotrim
O mais novo filme do brasileiro Fernando Meirelles, Blindness, abriu o 61º Festival de Cannes tateando no escuro. Apesar de muito aguardado por todos os presentes, que receberam o elenco com bastante alvoroço, o filme causou impacto e dividiu opiniões. Contabilizadas pelo próprio diretor, cerca de 80% das críticas foram negativas ao filme que, segundo Meirelles, foi de muita experimentação. “É claro que é mais fácil seguir um caminho conhecido. Mas, por alguma razão, sempre me coloco em situações de risco”.
Apesar das críticas não tão favoráveis, a maior preocupação do diretor era em relação à opinião do escritor português José Saramago, autor do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, adaptado corajosamente por Meirelles para o cinema. Entretanto, Saramago em entrevista à imprensa nesse domigo, 18 de maio, após assistir Blindness em uma sessão privada ao lado de Fernando Meirelles, disse ter gostado muito do filme e até se emocionado algumas vezes.
Navegando pela web, encontrei um trecho editado de um relato de Meirelles ao jornalista Luiz Carlos Merten sobre como foi a exibição do filme a Saramago.
“O resumo da história é que apesar de ter feito uma projeção muito escura e com um som ruim, ao acabar a sessão o Saramago estava muito emocionado e nós dois ficamos nos esforçando para não chorarmos juntos. Ele enxugou uma lágrima e eu num impulso beijei-lhe a testa. Foi muito emocionante. Com a voz embargada ele me disse que ao acabar de assistir ao filme se sentia tão feliz quanto no dia em que terminou de escrever Ensaio Sobre a Cegueira. Não precisava ouvir mais nada, mas perguntei sua opinião sobre alguns cortes que eu quero fazer na locução. Ele me pediu para não mexer em nada. Disse que o filme está muito preciso, nada falta e não existem excessos ou pompa. Ele gostou da economia do filme, especialmente na cena final. Simples, sem tentar criar momentos espetaculares ou recursos para acentuar a emoção.”
Esse relato pode ser encontrado no blog do jornalista Luiz Carlos Merten.

Por Fernanda Bonadia
No último post o entrevistado Toni Venturi (diretor de Cabra Cega) falou do cinema ARTHOUSE. Mas afinal de contas, o que seria essa classificação?
O cineasta entende que o cinema arthouse é o chamado cinema autoral, e que surge de inquietações objetivas e subjetivas muito profundas e verdadeiras. Este não é um cinema de gênero ou de tendências, nem aquele mais comercial que busca seus temas pelo modismo.
“O ‘cinema autoral’ é um projeto que dura quatro ou cinco anos e é necessário fazê-lo com paixão, muita paixão. Eu não to dizendo que o trabalho é totalmente romântico e as pessoas trabalham de graça, nada disso, mas o autor, como a locomotiva de um processo que vai ser longo e árduo, tem que ter um interesse genuíno por isso”, diz.
DISTORÇÕES
De acordo com o site Contracampo – local onde se pensa cinema e cujos autores são instigados em qualquer lugar que a sétima arte decida provocá-los -, o cinema arthouse ou autoral hoje sofre desvios de conceitos, que os autores do site resolveram chamar de CINEMA-BISTRÔ.
Cinema-bistrô seria o circuito de consumo de cinema “artístico” (e aqui abre-se um leque enorme de discussões, pois qual cinema não é arte?) que não passa mais por padrões que pautavam a idéia de cineclube e de transmissão da história do cinema, mas de um circuito elegante, de veleidades minimamente intelectuais (não necessariamente inteligentes), mas acima de tudo: fetichista (leia-se: o cinéfilo como subjetividade “cult”).
No site foi publicado um artigo de Ruy Gardnier, no qual ele discorre em cerca de 8 parágrafos sobre o “cinema de autor” e as controvérsias dessa classificação hoje em dia. Em uma certa parte do texto o autor diz:
“[Nós somos] partidários de uma forte convicção: há um novo cinema que se apropria de códigos do cinema de autor – digamos, de Scorsese a Tarantino, de Antonioni à nouvelle vague – para transformá-los em simples produção em série, repetir esses códigos pelo simples prazer em inserir-se num clube (…). O cinema de autor deixa de ser um saco de gatos que abriga muitas estéticas diferentes e torna-se, como que o marketing cultural necessário em nossa cultura, uma griffe“.
E continua:
“Passamos hoje a um outro estágio do cinema de autor. (…) O cinema de autor, através dos cinemas-bistrôs e em grande parte a partir do crescimento da Miramax como produtora, passa a ter uma linguagem, um molde. Ele inicialmente nascido contra a Academia, torna-se acadêmico. E o próprio ritual de ir ao cinema, de praticar a cinefilia, mudou”.
Para aqueles que se interessaram (e vale a pena mesmo) em ler o texto na integra, é só clicar aqui
Por Fernanda Bonadia
Toni Venturi, diretor dos filmes Cabra Cega, No Olho do Furacão e Latitude Zero, acredita que o cinema brasileiro mostra um bem-estar que não possuia há 38 anos e hoje vive um momento especial.
O cineasta refere-se à participação de dois filmes brasileiros no Festival de Cannes de 2008. A última participação dupla havia sido em 1970, quando o Walter Hugo Khouri (O Palácio dos anjos) e o Nelson Pereira dos Santos (O Alienista) participaram da Mostra de Cinema.
“Você sabe o que é ter o Fernando Meirelles abrindo o Festival de Cannes, com Ensaio sobre a Cegueira, e o Walter Salles apresentando Fim da Linha no final do festival, em uma comissão de 21 dos melhores e mais importantes filmes do ponto de vista do mundo da arthouse? Não estou falando da indústria norte-americana do filme de gênero, mas do ponto de vista da indústria arthouse, que é diferente da indústria de gênero. Nós nunca estivemos nessa posição nos últimos 40 anos”, empolga-se o cineasta.
Outra participação brasileira em Cannes será a de Rodrigo Santoro com a interpretação de Raul Castro, irmão de Fidel, no filme Che, de Steven Soderbergh (Onze homens e um segredo e Traffic). O filme é uma adaptação dos diários de Che Guevara durante a revolução cubana. Ele dura mais de 4h e será exibido em duas partes na Mostra.
O Festival de Cinema de Cannes começa nesta quarta-feira, dia 14 de maio, e lembrará a edição de 1968, que foi interrompida, a única vez em toda a sua história, por protestos de cineastas. Eram os ecos de “Maio de 68″ parisiense alcançando Cannes.

