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Ele é argentino, mora no Brasil e está dirigindo um filme de suspense. Conheça Isaac Huna e entenda o que o levou a pegar a estrada oposta no cinema brasileiro, seguindo por um caminho audacioso.
Na província argentina de Mendoza, Isaac Huna nasceu. Desde pequeno, fascinado por cinema e suspense, exercitava sua criatividade em meio a filmes e livros. Cresceu, foi trabalhar com publicidade e marketing, foi editor, desenhista. Colocando na mala suas experiências, Isaac pegou o avião. Veio ao Brasil trabalhar. E veio para ficar.
Há 20 anos morando em São Paulo, Isaac desenvolveu alguns projetos, dentre os quais, destaca-se a criação da Turma da Xuxinha, personagem criado especialmente para a apresentadora de TV Xuxa Meneghel. De uns anos para cá, ele passou a fazer cinema de uma forma amadora e, incentivado pelos resultados e pesquisas que realizou sobre a área, na qual não tem formação, decidiu profissionalizar o que seria seu hobby e investir nessa nova empreitada.
João Cotrim: Você já trabalhou com a Xuxa, na criação da Xuxinha e, na mesma época, iniciou o projeto de um filme de suspense. Como foi trabalhar com o universo infantil e conceber algo para um público totalmente diferente? O que o levou a encarar um projeto de um gênero pouquíssimo difundido no cinema brasileiro?
Isaac Huna: Sempre quis fazer coisas diferentes dos outros. Porque se você não faz isso, você vira mais um. Então a criação da Xuxinha, seguiu essa filosofia. Sempre gostei de inovar meu trabalho. Tudo foi uma conseqüência de sempre querer aprender. Sou fã de histórias de suspense e sou fã de desafios.
JC: Falando em cinema e suspense, suas influências cinematográficas dão medo? Quais são elas?
IH: São várias. Spielberg, Kubrick, James Cameron, etc.
JC: Como um argentino que mora há 20 anos no Brasil vê a produção cinematográfica no país?
IH: Sim, faz 20 anos que moro em São Paulo e acredito que, enquanto o cinema nacional não tiver um foco comercial, global e de entretenimento, ele nunca sairá do patamar onde se encontra. O que aliás é um problema antigo do cinema latino. Filme de cunho social, de arte, não geram caixa para se investir em futuras produções. Temos que seguir, sempre falo, o trabalho americano.
JC: Você disse sobre um problema no cinema latino. Acompanha com freqüência a produção audiovisual de seu país?
IH: Sei que se filma mais que no Brasil, mesmo assim precisa de mais foco comercial.
JC: Na Argentina há espaço para novos cineastas e para suspense? Como é o público de lá? É receptivo ao cinema argentino?
IH: O argentino gosta de cinema argentino e de outros. Aliás, em geral é receptivo à boas produções. E sempre há espaço para boas produções.
JC: Seu projeto foi contemplado com a Lei do Audiovisual em 2007. Como é viabilizar um filme através desses incentivos?
IH: A aprovação do projeto só demorou 3 semanas. Essas leis de incentivo até que colaboram, mas o grande problema são os próprios cineastas, produtores que não vêm o cinema como uma empresa, como um indústria que tem que gerar lucros.
JC: Você está inovando no processo de captação de recursos para cinema no Brasil, como é? Onde você se espelhou?
IH: Existem diversas maneiras de viabilizar uma produção financeiramente e estamos captando recursos junto à pessoas físicas. Qualquer pessoa pode adquirir cotas de patrocínio, que serão proporcionalmente revertidas em lucro após a contabilização de bilheteria. Além disso, vamos lançar uma grife do filme com subprodutos como roupas, CDs, bebidas, óculos, etc. Como acontece no cinema americano.
JC: É seu primeiro trabalho e você é um produtor independente. Como é o ambiente para os que estão começando? Há espaço para esses novos e pequenos profissionais?
IH: Enquanto o independente, o pequeno produtor não agir com planejamento e marketing, nunca chegará a lugar nenhum. Olhe nós, somos pequenos também, por enquanto. Só que nosso projeto já tem sido divulgado, saído na grande mídia… E por que tudo isso? Porque temos planejamento.
JC: E já planejou alguma co-produção Brasil-Argentina? Muitos profissionais avaliam os custos de produção na Argentina como mais baratos do que os do Brasil. Pensa em produzir lá?
IH: São mais baratos dependendo do produto que você quer fazer. Vamos fazer muuuuitas co-produções entre os países. Pode ter certeza disso. No momento, vamos filmar na cidade de São Paulo e Paranapiacaba porque têm tudo a ver com o roteiro do LEGION.
JC: É esse o nome do seu filme, LEGION. Do que se trata, qual origem do nome?
IH: É sobre fatos sobrenaturais que todos, de alguma forma, já experimentaram. O nome LEGION foi uma criação de marketing. Não precisa de tradução literalmente, já q em inglês, espanhol e português, significa a mesma coisa: grupo de gente.

Os protagonistas do filme, Felipe Kannenberg e Daniela Escobar, em Paranapiacaba.
O diretor argentino Isaac Huna está em fase de pré-produção de seu primeiro longa-metragem. As gravações estão previstas para o mês de agosto. O filme é LEGION. A história de uma jornalista que apresenta um programa de TV sobre fatos inexplicáveis e passa a se sentir perseguida após estranhos acontecimentos investigados por ela, que envolvem o suicídio de um advogado e um misterioso genocídio de uma colônia inglesa no sul do Paraná, em 1923.
JC: O que o público pode esperar de LEGION?
IH: Muito medo e ações imprevisíveis e uma nova forma de se fazer suspense.
Mais informações sobre o filme em www.legion.com.br.
O universo infantil e a instabildade política são retratados em uma nova perspectiva em Machuca e O ano em que meus pais saíram de férias
O produção cinematográfica passa por um fenômeno particular e aparentemente inédito. Retratar a infância dentro nos limites do lúdico e mergulhada numa espécie de “universo paralelo” parece ter sido superado. A participação de personagens infantis, não mais como coadjuvantes, em filmes que retratam a instabilidade política de um país e de todos os conflitos que ela engendra pode ser vista em duas produções recentes: Machuca (Andrés Wood, Chile/Espanha, 2004) e O ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hamburguer, Brasil, 2006).
No entanto, há distinções entre os longas. Assim como há distinções entre o golpe que derrubou Salvador Allende no Chile em 1973 e o regime que instaurou o AI-5 no Brasil em 1968. Em Machuca, o papel de Pedro (Ariel Mateluna) e seus amigos Gonzalo Infante (Matías Quer) e Silvana (Manuela Martelli) é politicamente mais ativo que o de Mauro (Michel Joelsas), de O ano em que meus saíram de férias. Não que as crianças do filme chileno tenham algum tipo de engajamento que vá além da inocência infantil. Em tempos difíceis para os suburbanos Pedro e Silvana, vender bandeirolas em passeatas que marcaram a tensão entre a esquerda de Salvador Allende e o receio da elite em perder seus bens é um meio de ajudar a família. Gonzalo, que vive num luxuoso bairro de classe média, conhece Pedro por causa de uma política de inclusão adotada pelo colégio burguês Saint Patrick, o melhor de Santiago. O padre McEnroe, diretor do colégio, decide matricular alunos do bairro pobre vizinho, entre eles, Pedro Machuca. Os dois se cruzam numa típica briga de pátio de escola, em que Pedro defende Gonzalo dos alunos mais velhos: daí nasce a amizade que, até dado momento, ultrapassaria as barreiras sociais.
As famílias de Pedro e Gonzalo chegam a ser caricatas, mas sem perder a sutileza: a mãe de Infante vive ás custas de um homem da elite que teme a ascensão de Allende. Embora superprotegido, Gonzalo parece um estorvo em meio ao ambiente de viagens a Buenos Aires e troca de favores sexuais entre o “padrasto” rico e a mãe do menino. A família de Pedro vive em um degradante barraco no bairro ilegal de Santiago. O pai, alcoólatra, explora a mãe, que passa quase todo o filme com uma criança no colo. No decorrer da convivência entre os dois, a fusão entre os mundos se mostra de maneira bela e sutil: são inesquecíveis as sequências em que Pedro experimenta os tênis Adidas de Gonzalo e quando os dois ouvem do pai bêbado de Machuca que Gonzalo herdaria as empresas do pai enquanto Pedro não passaria de um faxineiro. Certamente, os olhares das duas crianças em cenas como essas são insubstituíveis, principalmente se fossem encenadas por atores adultos.
Em O ano em que meus pais sáiram de férias, o protagonista Mauro é intencionalmente privado das mudanças políticas que acontecem no país. Seja pelas “férias” na casa do avô (último papel de Paulo Autran no cinema), que morre antes mesmo de ver o neto; seja pela aproximação da Copa do Mundo de 1970. Ao contrário de Pedro Machuca, que vê o monstro da ditadura no ponto de vista do oprimido, Mauro se contenta com explicações nebulosas acerca do sumiço dos pais, afinal, ainda há tempo para brincadeiras nas ruas do Bom Retiro, bairro judeu de São Paulo, e a tão esperada Copa se aproxima. Mauro, cujo pai seria morto na ditadura, mantém a esperança de ver o jogo final entre Brasil e Itália com ele até o último minuto.
É preciso ainda comparar os diferentes estágios do regime autoritário nos dois países. Em Machuca, o fantasma da ditadura chilena ainda é iminente, trata-se das vésperas do golpe que derrubaria Salvador Allende. O Brasil, em 1970, já estava a seis anos em estado de exceção e o AI-5, momento mais sangrento do período, havia sido instaurado em 1968.
Toda transição é marcada por conflito e incerteza, como é mostrado em Machuca. Ora Pedro tem a oportunidade de estudar numa boa escola, beneficiado pela política esquerdista de Allende, ora ele e Gonzalo se vêem no meio do fogo cruzado num bairro pobre da capital chilena. Neste momento, aliás, a diferença social entre eles fica latente e leva à separação dos amigos. Já em O ano, a repressão política já estava num estado avançado. Os militares conseguiram ludibriar a maioria da população, inclusive Mauro, das atrocidades da ditadura através da campanha pelo sucesso da seleção brasileira na Copa do Mundo. Por esse motivo, Mauro não passa por um amadurecimento forçado no decorrer da narrativa, como acontece com Pedro Machuca e Gonzalo Infante. Isso só acontece no final do longa, que é quando Mauro se dá conta de que nunca mais veria um jogo de futebol ao lado do pai.
O Festival de Cinema Latino-Americano, promovido pelo Memorial da América Latina em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, vai de 7 a 13 de julho. Esta é a 3ª edição do evento. As sessões são gratuitas e podem ser vistas no próprio Memorial, no Cinesesc, Cinusp e Cinemateca. Vejam como o foi o 1º Festival, realizado em 2006.
Não, não é melodrama, tampouco ingenuidade ou indignação gratuita. E só que às vezes acontece de eu me sentir absolutamente alheia a esse mundo. Dura apenas alguns segundos e é sempre assim: lembro algo, feito fosse uma memória de um sonho, algo como… “as mulheres são subjugadas e têm de aguentar homens as assediando nas ruas”. Em seguida vem o susto: “mas onde diabos acontece isso?” E o baque do retorno: “ah. é aqui mesmo”. Repito que não é indignação, nem feminismo queima-sutiã, acontece com todo tipo de coisa… sei lá… “milhares de pessoas viciadas num líquido preto cheio de gás”. Enfim. Quinta-feira me deparei com isso:
VEJA.com: Vaticano prepara um manual para ‘bom cinema’
E, sim, meus amigos, é aqui mesmo que se permite que uma instituição censure a arte.
Conheçam Blu: o artista italiano que usou de incríveis técnica e irreverência para se apropriar do espaço público. Cabe a nós agora pensar o que ele está colocando em discussão e por quê.
E se o famoso filme de suspense/horror O Iluminado – sim, aquele com Jack Nicholson e seu machado mais o elevador jorrando sangue – fosse uma comédia romântica quase família??
Pessoas com mente fértil – muito fértil – editaram e fizeram um trailer bem bacana do gênero. Vale a pena olhar e dar umas risadas! (Só pra avisar antes: áudio é em inglês, sem legenda)
Em tempo: para seguir o sucesso, outros fizeram o mesmo com muitos filmes. Muitos mesmo. Confira uma Mary Poppins assustadora, um tenso filme de “stocker” em Sleepless in Seattle (a tradução “Sintonia de Amor” perde a graça), um romântico Top Gun à la Brokeback Mountain e um maníaco em Escola do Rock, por exemplo.
